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" Eu tenho recebido muitas ligações. São todas parecidas: “Você é Charles Bukowski, o escritor?” “Sim”, eu digo a eles. E eles me dizem que entendem minha escrita, e que alguns deles são escritores ou querem ser escritores e que têm trabalhos entediantes e horríveis e que não conseguem encarar o quarto, o apartamento, as paredes; a noite — eles querem alguém com quem falar, e não conseguem acreditar que não posso ajudá-los, que não sei quais são as palavras. Eles não acreditam que eu, com frequência, me enrolo no meu quarto, aperto minhas entranhas e digo: “Jesus, Jesus, Jesus, não de novo!” Eles não acreditam que as pessoas sem amor, as ruas, a solidão, as paredes também me pertencem. E quando desligo o telefone, eles pensam que escondi o meu segredo. Eu não escrevo por sabedoria. Quando o telefone toca, eu também gostaria de ouvir palavras que possam aliviar um pouco. É por isso que meu número está na lista telefônica. "
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" Sempre precisei de um pouco de atenção. Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto. Nesses dias tão estranhos, fica a poeira se escondendo pelos cantos. Esse é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante e a primeira vez é sempre a última chance… Ninguém vê onde chegamos. Os assassinos estão livres, nós não estamos. "
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